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June 7, 2024

Me engana que eu gosto

Há coisa de 4 anos uma pesquisa da Ladders (organização voltada para estudos sobre carreiras) apontou que 81% de colaboradores insatisfeitos fingem que estão felizes no trabalho. Número espantoso? Nem tanto. Se considerarmos o contexto opressivo e obcecado por felicidade que o mundo corporativo se tornou, não é de se espantar que profissionais escolham fingir felicidade por pura insegurança psicológica, não é mesmo?

QUANDO A FRANQUEZA VIRA FRAQUEZA

Em tempos de insinceridade manipuladora (vide Kim Scott para entender o conceito), sentir-se confortável para ser franco é uma raridade. Na maioria das vezes escolhe-se evitar a fadiga e evitar conversas verdadeiras, tal como se encarnássemos o inesquecível personagem Jaiminho:

Pior do que a insinceridade manipuladora, só mesmo a obsessão que mencionei ali em cima. Fiz uma pesquisa rápida aqui nessa rede e parece que estourou um encanamento de Chief Happiness Officers...agora tem um em cada empresa, supostamente encarregados de promover a felicidade dos colaboradores.

Honestamente, acho fofo quando organizações buscam mostrar ao mundo o quanto se importam com suas pessoas. É fundamental e um dever cuidar de quem cuida do seu resultado. Agora, institucionalizar a felicidade é ir longe demais.

Para início de conversa, felicidade é um conceito aberto e que tem, ao longo da humanidade, recebido diversas descrições. O grande pensador francês Jean-Jacques Rousseau dizia que felicidade era deitar-se em uma canoa e sentir-se como um Deus. Epicuro passou os melhores anos da sua vida em busca de uma definição de felicidade e chegou à conclusão que é viver entre amigos. Platão não acreditava em felicidade, mas em eudaimonia (algo como satisfação).

A solução apaziguadora que as empresas encontraram para esse problema de definição foi associar felicidade com "job satisfaction" e medir esse indicador com perguntas em pesquisas de clima. A superficialidade impera, na associação e nas respostas aos infinitos questionários. Se a resposta é boa, então assume-se que há felicidade, se a resposta é ruim, corre-se para cuidar da felicidade dos colaboradores...e é aí que a coisa fica estranha.

Quando uma pesquisa de clima mostra percentuais de "infelicidade do colaborador", empresas entram em estado de pânico e lançam mão de estratégias bizarras:

Estratégia 1: Chamar um coach falastrão

Estratégia 2: Chamar um coach de felicidade

Estratégia 3: Institucionalizar a felicidade

Sinto cheiro de bullshitagem

Basta uns minutos de escuta ao Dalai Lama, ao Arcebispo Desmond Tutu, à cientista Sonja Lyubomirsky ou aos filósofos Alain de Botton e Byung Chul-Han para entender que correr atrás da felicidade como uma meta é um dos maiores desfavores que você pode fazer a si mesmo ou outro alguém. Pouca coisa além de frustração advém dessa mania.

Nem mesmo a produtividade serve como desculpa. Tão numerosos quanto os estudos que associam felicidade à produtividade são as pesquisas que mostram exatamente o contrário. No geral, é inconclusivo. A ciência ainda não consegue ter clareza sobre essa relação.

Chorumelas

Quer cuidar das suas pessoas? Cuide. Quer manter o título de Chief Happiness Officer? Mantenha. Só não se engane. Felicidade no trabalho não depende de mesa de pingue-pongue, tobogã, bônus, aulão de yoga, day off... Depende de cada um encontrar sentido. É algo que ninguém pode fazer por você e nem você pelos outros. Podemos ajudar? Podemos, mas a resposta tá do lado de dentro e cabe a cada um mergulhar para achá-la.

Escrito por Gustavo Brito e publicado originalmente no LinkedIn do autor

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