
O universo corporativo adora metáforas. "Temos que subir essa montanha juntos" é um clássico. O que tem de "coach" que leva isso para o literal e coloca a vida das pessoas em risco é uma enormidade. Vide exemplos grotescos.
Imbecilóides à parte, esse é um texto sobre o exato contrário e não tem qualquer pretensão de te "coachear" para lado nenhum. Combinado?
Muito incomum nos escritórios, nas reuniões e nos fóruns de gestão é ouvir alguém dizer, em tom semi-messiânico, que é preciso saber descer a montanha. Afinal de contas, em ambientes hipercompetitivos, perder não parece ser das atividades mais eficientes na hora de angariar confiança e reputação.
Entretanto, sabemos por A+B que a vida é um eterno perde e ganha. A depender da vida, inclusive, mais se perde do que se ganha...e no final, perdemos todos, já que um dia, todos deixaremos de existir.
Michel de Montaigne foi uma dessas pessoas que perdeu a beça na vida. Perdeu seu melhor amigo para a peste, seu pai para uma pedra no rim, seu irmão com uma bolada na cara, seu filho para uma doença rara. Dos seus trinta anos para frente foi só derrota. Ele mesmo quase morre atropelado por um cavalo enquanto montado em outro cavalo. Sério!
Os acidentes de percurso forjaram Montaigne como um dos maiores filósofos de todos os tempos, como pensador cético, estoico, focado em manejar a si sem sofrer ansiedades pelo que não está em seu controle (quase tudo). Forjaram um cidadão que sabe descer a montanha, isto é, que sabe perder.
Saber perder é uma das mais hards das soft skills. Contudo, não se vê curso disso em lado nenhum, seja em universidades corporativas, seja em jornadas de liderança ou trilhas de autodesenvolvimento. Uma pena, não acha?
Pois no fundo, nossas carreiras não são como foguetes, elas dão ré. Mais do que isso, elas "dão ruim". E nem sempre isso depende de nós. Volta e meia você tem seu tapete puxado. Volta e meia a empresa faz downsizing. Volta e meia a "demeritocracia" vence e você fica a ver navios, digo, a ver apadrinhados subindo enquanto você desce. Volta e meia você foi mal. Volta e meia não conseguiu render. Faz parte. É a vida.
Dar piti é derrota. Não compreender a derrota é derrota. Se culpar além da conta é derrota. Culpar os outros além da conta é derrota. Culpar Deus é derrota. Culpar o Diabo é derrota. Negar a derrota é derrota.
Aceite o conselho do jovem narrador de um dos mais célebres vídeos da internet. Tá descendo, então desce com querência. Desce com vontade. Investe na ribanceira, no montanha-abaixo. Se do buraco viemos e ao buraco voltaremos, então mergulha com coragem na derrota que te vier e tire dela todo aprendizado que puder, até que a próxima vitória te iluda novamente.
Escrito por Gustavo Brito, Chief Learning Office na Afferolab (publicado originalmente no LinkedIn da Afferolab).
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